Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A aldeia mais portuguesa de Portugal



Desta forma é conhecida a aldeia raiana de Monsanto, foi eleita a mais portuguesa das aldeias nacionais. Mas depois de sete décadas, este lugar melancólico e acolhedor conserva as mais belas e carateríscas marcas do passado urbano.

A tradição dos habitantes deste lugar denominava esta zona como Mons Sanctus referido às santidades do lugar e em 1165, depois da derrota dos mouros por D. Afonso Henriques, foi doada à Ordem do Templo que lhe edificou o castelo. Há um dito que disse “Quem fosse capaz de conquistar Monsanto, seria capaz de conquistar o mundo”

Entre as encruzilhadas das suas ruas, casas que nascem por entre penedos junto à casas senhoriais, escondem-se muitos misterios e lendas. O visitante pode ver interessantes vistas sentado nas muralhas do castelo.

O quê visitar:
Castelo (Medieval sobre ruinas pré-Romanas, Romanas e Muçulmanas)
Cemitério (com as famosas sepulturas cavadas na rocha), séc. XII
Imponente fortaleza medieval, com vários recintos, portas e escadarias. No interior das muralhas destacam-se a Capela de Nossa Senhora do Castelo
Igreja de  S. Miguel, séc XII
Capela românica, com uma notável porta axial de arco de volta perfeita, com quatro arquivoltas, com capitéis decorados. Junto com uma torre sineira de dois arcos, e um conjunto de sepulturas antropomórficas
Torre do Lucano ou do Relógio, séc. XV
Torre sineira, encimada com a réplica do galo de prata
Torre do pião, séc. XII
Antigo posto medieval de vigia, de planta quadrangular

O quê comprar: São típicas umas bonecas de trapos relizadas a partir duma cruz de madeira, chaman-se Marafonas da Santa Cruz e simbolizam uma deusa da fertilidade. Não tem olhos nem boca nem nariz; colocam-se em cima da cama para trazer fertilidade e felicidade ao casal.







segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Portugal, para comérselo!



Suponho que não é complexo conservar o sucesso mantendo sempre um ótimo e feliz resultado, particularmente quando não todo está sujeito ao esforço de si, de moto próprio, e entram em jogo criticadores, guias, clientes, e obviamente o dinheiro.
Quando reflectia à respeito do êxito, tinha no meu pensamento os grandes e afamados cozinheiros que enchem o firmamento de estrelas, e que com a sua genialidade são capazes de levar muitos ao êxtase gastronómico mais absoluto, tão na moda nos últimos tempos.
Mas, poderia acontecer que entre tantos “corpos celestes”, estejamos esquecendo os mais reluzentes astros, estejamos deixando no lado, àquelas mulheres que com economia limitada, com os costumes recebidos por herança, e acima de todas as coisas, com muito amor, fizeram possível que diariamente, tenhamos ao nosso alcance a arte mais efémero que pode existir, a melhor comida feita pelas nossas bisavós, avós, tias y mães.
Não há muito tempo, chegou às minhas mãos um livro daqueles que antigamente se escreviam sobre “fogões”, com medidas e expressões impossíveis de traduzir para a linguagem atual, e que se herdavam de mães a filhas. Neste livro de fogões, de forno, lareiras e também de esmerada caligrafia, reflecte-se o incalculável amor pela comida e os costumes, assim como a necessidade de perpetuar o sucesso culinário, nesta altura da minha família, e decerto extensível às casas de todos aqueles que lerem este artigo.
Para grande surpresa minha, no “Meu Libro de Fogões”, como eu chamo-lhe, mostram-se também receitas com a palavra Portugal, e que fazem referência àquelas comidas originárias do país vizinho e tão queridas pelos paladares dos meus parentes. A existência deste receituário e o meu amor a Portugal, foram as duas razões pelas quais decidi que a minha secção neste blogue, seria a aproximação ao arte de preparar e comer uma boa refeição portuguesa.
Tentarei que, Portugal, para comérselo!, seja uma secção gastronómica diferente, alguma coisa mais do que um receituário normal de comidas dos muitos que há na rede.
Quero desde a minha humilde posição, aproveitando o chamado turismo gastronómico e a minha vizinhança, aproximar-vos a esses pequenos restaurantes governados desde as suas cozinhas pelas mais antigas tradições portuguesas. Quero pôr nas mesas dos leitores, os vinhos mais delicados, equilibrados e potentes, assim como os doces mais doces da culinária vizinha. Quero conseguir que chegue a todos por meio das fórmulas dos meus antepassados, o cheiro e o sabor que há na minha casa quando a minha mãe cozinha bacalhau, ou cordeiro, ou faz esses pequenos pasteis, certamente incompatíveis com a balança.
Tentarei que este espaço seja também uma homenagem a todas as mulheres que sem ficar na "abóbada celeste” da gastronomia, têm nas suas mãos uma “estrela” e o dote natural de ter sempre grande êxito por cozinhar com amor para todos os seus.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"Gaivota"


MÚSICA

Nesta secção tencionamos incluir diferentes tipos de músicas próprias de Portugal, do Brasil e doutros países que partilham o português como língua oficial. O visitante não só será testemunha ativa das lembranças evocadoras de um tempo passado que já não vai voltar, mas também conhecedor dos grupos e das tendências musicais atuais.
    Hoje, o dia no que damos começo a esta divisão deste blogue, gostávamos de vos apresentar uma linda canção baseada num poema do poeta português Alexandre O´Neill, um poema que se tornou fado nos lábios da magistral fadista Amália Rodrigues e que adotou um som pop na interpretaçao do grupo português Amália Hoje.
    Que é o fado senão poesia musicada, sentido e sentimento, calor e vento, uma lágrima nascida nas profundas fontes do coração, uma caricia que calma a dor que mora nos olhos da alma?
    Que é o fado senão a expressão mais intensa de muitas das nossas vivências quotidianas acolhidas pelo som de uma viola portuguesa,, uma guitarra clássica e a desgarradora voz de uma fadista como Amália Rodrigues?







    Oferecemos-vos a possibilidade de escutar este fado na cadência da voz melodiosa  de Amália Rodrigues  e ainda de verem duas versões desta mesma canção interpretada num vídeo por esta própria fadista e no outro vídeo pelo grupo Amália Hoje, dois estilos de sentir um lindo poema. Esperemos que gostem de tudo e o saboreiem com imenso prazer.


                                       Gaivota

Se uma gaivota viesse                    Meu amor na tua Mao
Trazer-me o céu de Lisboa             Nessa mão onde cabia
No desenho que fizesse                  Perfeito o meu coração
Nesse céu onde o olhar                  Se ao disser adeus à vida
É uma assa que não voa                 As aves todas do céu
Esmorece e cai no mar                   Me dessem na despedida
Que perfeito coração                      O teu olhar derradeiro
No meu peito bateria                      Esse olhar que era só teu
Meu amor na tua mão                    Amor que foste o primeiro
Nessa mão onde cabia                   Que perfeito coração
Perfeito o meu coração                  Morreria no meu peito
Se um português marinheiro            Meu amor na tua mão
Dos sete mares andarilho                Nessa mão onde perfeito
Fosse quem sabe o primeiro            Bateu o meu coração
A contar-me o que inventasse         Meu amor
Se um olhar de novo brilho              Na tua mão
Ao meu olhar se enlaçasse             Nessa mão onde perfeito
Que perfeito coração                     Bateu o meu coração
No meu peito bateria                     (Alexandre O´Neill)


http://www.youtube.com/watch?v=bhagDjqN_ww

http://www.youtube.com/watch?v=BgQeJ6BqRLI







terça-feira, 8 de outubro de 2013

Na literatura, como na mesma vida, é preciso arriscar-se, abrir-se, entregar-se.
Assim pois, atenção leitor, começar a ler este livro é um risco, porque você pode destapar a sua mais secreta paixão. Sente-se à sombra do nosso sobreiro para iniciar esta viajem da mão dos livros, deixe-se adormecer pelo o agradável roído do vento ao passar entre as folhas desta árvore.
Inclusive se cometeu qualquer crime, ou têm um segredo inconfessável, não terá mais remédio que revelar-se com as palavras que nós lhe oferecemos"


  "Cumpridos dez anos de prisão por um crime que não pratiquei e do qual, entanto, nunca me defendi: morto para a vida e para os sonhos; nada podendo já esperar e coisa alguma desejando-  eu venho fazer enfim a minha confissão: isto é: demonstrar a minha inocência.
  Talvez não me acreditem. Decerto que não me acreditam. Mas pouco importa. O meu interesse hoje em gritar que não assassinei Ricardo de Loureiro, é nulo. Não tenho família; não preciso que me reabilitem. Mesmo, quem esteve dez anos preso, nunca se reabilita. A verdade simples, é esta.
  E àqueles que, lendo o que fica exposto, me perguntarem: "Mas porque não fez a sua confissão quando era tempo? porque não demostrou a sua inocência ao tribunal?"-a esses responderei:- A minha defesa era impossível. Ninguém me acreditaria. E fora inútil fazer-me passar por um embusteiro ou por um doido...Demais, devo confessar, após os acontecimentos em que me vira envolvido nessa época, ficara tão despedaçado que a prisão se me afigurava uma coisa sorridente. Era o esquecimento, a tranquilidade, o sono".


"A confissão de Lúcio"
Mário de Sá-Carneiro
Ed. Assírio & Alvim

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Lenda de Estremoz

Lenda de Estremoz


O calor apertava. A sede torturava-os. O pó punha-lhes a boca gretada e a língua áspera. A mãe, o pai e a filha precisavam descansar.
De súbito apareceu uma sombra larga, acolhedora, como um oásis no deserto. Um tremoceiro. A criança olhou os pais. ‘E se ficássemos aqui?’. Na sua imaginação aquela sombra era o paraíso…

Na manha seguinte, surgiu uma visita inesperada, um velho forte e autoritário. ‘Sou o dono de tudo isto... Do tremoceiro, que plantei por minhas mãos... Fora daqui! Não vos quero ver mais nos meus domínios!’
Altivo, o homem que viera de longe retorquiu ‘Pois já que nos ameaçais...dir-vos-ei que só á força sairemos...’
Pouco tempo depois, o velho voltou com muitos homens armados. A família preparou-se para defender a sua morada. ‘Porque somos tao perseguidos? Não fizemos mal algum e todos nos odeiam!
Entretanto, indiferente ao perigo, a criança tinha atravessado por entre os homens e avançara ao encontro do chefe. ‘Sabei, senhor... que estive a pensar numa coisa! Em volta duma árvore tao bonita como aquele tremoceiro podia construir-se uma povoação também bonita e grande... capaz de causar inveja ás outras povoações... Sabei que o meu pai é um grande constructor e a minha mãe ajuda-o em tudo... Se o senhor quisesse, eles poderiam construir aqui uma cidade, dirigindo o trabalho dos seus homens…
O velho olhava-a espantado.‘Ora esta! Uma cataria como tu... com uma ideia tao grande!’ Ela sorriu,
ingenua. O olhar do velho ficou a perder-se no vasto horizonte.
O velho chefe procurou o marido e a mulher. ‘Venho em missão de paz e amizade! Sei que sois um grande
constructor...’
O homem interrompeu-o, perplexo.’O quê? Fui, sou e serei unicamente um fidalgo.’
‘Mas, a vossa filha disse-me..’
Houve um leve sorriso nas expressões
do casal. ‘A nossa filha tem uma imaginação prodigiosa e vós… acreditastes...’
‘Mal posso acreditar...’ Mas a voz do velho tinha um tom bonacheirão.
A pequena ladina segurou carinhosamente nas mãos do velho e falou devagar. ‘Eu não vos enganei. Reparai
no que vos disse: com o auxílio de todos, poderemos construir uma grande povoação á volta do tremoceiro...’
O velho voltou a sorrir.
Dentro em breve, o sonho da rapariga começou a transformar-se em realidade.
Um tempo depois, o velho voltou com a boa nova que o rei D. Afonso III acedeu a dar foral a aquela terra. ‘Temos de dar um nome a nossa terra’ Todos se voltaram para a rapariguita.
‘Bem... parece-me que o melhor é por-lhe um nome que lembre aquela árvore a que devemos tao boa
sombra... se deve chamar Estremoços!’




Marques, Gentil. (1962)

Lendas de Portugal. Lendas dos nomes das terras. Âncora editora.